Por mais que cada indivíduo tenha a sua própria trajetória, qualquer membro da comunidade LGBT irá se associar com a metáfora do armário. A sexualidade, estigmatizada pela sociedade, se tornou um objeto de omissão. Um segredo. O chavão “sair do armário” refere-se justamente ao fato de revelar a sua identidade sexual perante a família, amigos, colegas de trabalho e até publicamente. Mas, por que nos enclausuramos em um lugar obscuro e desprovido de conforto quando apenas tentamos existir e ser quem realmente somos?

A sociedade é cruel. Ela impõe tradições, expectativas. E nós, representantes da diversidade, quebramos estes paradigmas. Um dos nossos maiores receios é a reação de cada pessoa. Qualquer senso de previsibilidade pode não se concretizar, seja negativamente ou positivamente. Este fator nos leva a refletir ainda mais: “afinal, qual é o momento certo?”.

O mais importante é, em primeiro lugar, nos aceitarmos. E, surpreendentemente, esta é, talvez, a etapa mais desafiadora. Como as pessoas irão nos aceitar se não aceitamos nós mesmos? O primordial é entender que nascemos assim. Por várias vezes, tentei lutar contra minha própria natureza, enfrentar o meu eu verdadeiro. Sinceramente? O resultado foi apenas mais sofrimento, culpa, insatisfação e tristeza. Até o dia que finalmente olhei no espelho, me encarei e a frase que reverberou foi: “Sou gay”. Foi ali que eu soube que eu estava pronto para enfrentar as adversidades impostas pela sociedade e, mais importante, pronto para parar de mentir para mim. Eu saí do meu próprio armário.

Ao assumirmos nossa própria identidade, ganhamos forças para nos comunicarmos com as outras pessoas. A jornada de auto-descobrimento e auto-conhecimento se torna um escudo, e a coragem é o mote de cada: “Tenho um namorado/a”, “Tenho algo para te contar...”, “Gosto de homens”, “Gosto de mulheres”, “Sou operado/a”. Aceitar-se não é se apropriar de um megafone e encarar a sexualidade como um anúncio. Aceitar-se é viver a vida como ela é, como qualquer tenta pessoa viver: sem desconforto, sem medo, sem receios.

Tudo acontece em seu tempo. Cada indivíduo, cada pessoa, cada bagagem social, familiar e educacional proporciona uma conjuntura. Hoje, eu, gay assumido, ainda tenho – pequenos – frios na barriga ao identificar minha sexualidade publicamente. E é por isso que é vital sempre se lembrar: este sou eu. Eu estou satisfeito. Esta é a minha natureza. E eu estou plenamente feliz. A vida é muito bonita para se passar dentro do nosso próprio armário. O armário é para roupas. Não para pessoas.