Com que frequência você se depara com comentários desrespeitosos, homofóbicos, lesbofóbicos, bifóbicos e transfóbicos? Seja no seu cotidiano ou nos meios de comunicação virtuais, estamos regularmente suscetíveis a afirmações desagradáveis e intolerantes. Recentemente, me deparei com a não pouco comum declaração: “Eu respeito, mas precisa andar de mãos dadas na rua?”. Logo associei o comentário com a constante: “Não sou homofóbico, mas...”. Será mesmo?

Uma das lutas mais importantes para a comunidade é, justamente, a questão da visibilidade. O direito de existir e ser visto pelo olhar da igualdade e da tolerância. A partir do momento que escutamos um comentário similar ao descrito no primeiro parágrafo é inevitável demonstrar indignação a tal postura quando estamos apenas tentando pertencer. Ao sermos questionados por um gesto absolutamente natural concluímos, infelizmente, que a homofobia ainda está enraizada.

A questão da chamada DPA – ou Demonstração Pública de Afeto – sempre foi um grande desafio para boa parte de nós. Um simples gesto como o segurar de mãos ou um selinho é uma grande etapa a ser vencida no nosso próprio processo de aceitação e de “saída do armário”. Afinal, assumimos publicamente a nossa identidade e, infelizmente, o ato acaba sendo caracterizado por boa parte da sociedade como algo exibicionista. O fato é: a DPA não é exibicionismo. Ao praticarmos qualquer demonstração pública de afeto, estamos exercendo o nosso direito de amar e de liberdade individual.

Enfrentar olhares e comentários acaba se tornando parte do nosso dia-a-dia. E o importante é demonstrarmos força e evitarmos o sentimento de intimidação. A troca de afeto é intrínseca ao ser humano. Faz parte da nossa natureza, da nossa sobrevivência, independentemente de raça, gênero e sexualidade. E estamos no nosso direito de nos expressarmos como realmente desejamos.

Atualmente, muito se fala sobre o “Eu aceito, mas...”. A inclusão de uma ressalva já destrói a conotação da primeira frase e o resultado é, nada mais nada menos, um paradoxo. Um indivíduo está no seu direito em expressar a sua liberdade individual desde que não viole o direito do próximo. Não é exibicionismo. É amor. Sejamos héteros, lésbicas, gays, bis ou trans, somos todos Human. E nós só queremos amar.